domingo, 24 de abril de 2011

NOVAS AÇÕES DO PROJETO ALDEIA LIMPA PARA 2011



Em 2011 o projeto de gestão participativa do lixo "ALDEIA LIMPA", que iniciado em 2010, vem sendo desenvolvido nas florestas indígenas kayapó Mekrãgnoti. Este Passará por uma nova fase, mais ligada a participação dos profissionais que atendem as aldeias. Esta nova direção foi tomada a partir dos resultados da avaliação do projeto em 2010, que identificou pouca atuação dos não-indígenas, que poderiam contribuir com o projeto em suas atividades como profissionais, a exemplo dos professores que podem adotar a temática lixo nas aulas e promover debates, seminários e produção de material para serem utilizados com a finalidade de contribuir com ações educativas voltadas para redução, reutilização e destinação adequado do lixo nas três aldeias envolvidas. Além disso, os profissionais de saúde, também podem contribuir com reuniões ressaltando os problemas que o lixo pode trazer a saúde dos índios e do ambiente.

Em um contexto mais amplo em 2011 as ações terão um reforço na política do lixo, que envolve a obrigatoriedade dos não-indígenas trazer de volta o lixo gerado por suas atividades nas aldeias para cidade, onde o mesmo terá a destinação na sede do Instituto Kabu, que contará com uma prensa para compactação dos resíduos gerados nas aldeias.

Texto do folder que será disponibilizado na FUNAI, FUNASA e Instituto Kabu

A cada dia que passa, aumenta a quantidade de lixo gerado e jogado na aldeia, este lixo contribui para diminuição de nossa qualidade de vida, para o surgimento de doenças além de poluir e sujar nossos rios e floresta. Para acabar com os problemas relacionados à geração do lixo em nossas aldeias, implantamos o programa aldeia limpa, que se trata de um programa participativo envolvendo todos os moradores e visitantes de nossa aldeia. O programa aldeia limpa tem ajudado a comunidade a estabelecer regras para o lixo gerado e jogado na aldeia onde a partir de agora todos os visitantes e inclusive os profissionais de saúde e educação, assim como consultores e outros devem atentar para as regras do lixo:

POLÍTICA DO LIXO NOS TERRITÓRIOS KAYAPÓ.

1. Todos os visitantes devem se adequar ao sistema de coleta seletiva adotado na aldeia e fazer uso do mesmo.

1.1. Todo visitante é responsável pelo lixo que leva e gera dentro da aldeia sendo o mesmo responsável por retorná-lo para cidade consigo quando deixar a aldeia.

1.2. O visitante deve observar para o correto uso do sistema de separação dos resíduos, onde: tambores de cores;

Branco (lixo do posto de saúde); Marrom (lixo perigoso); Amarelo (alumínio e metal); Vermelho (plástico e papel).

Aproveite os dias em nossa aldeia e realize um bom trabalho.

Kayapó Mẽkrãgnõtire.

A diminuição da quantidade de resíduos que entram nas aldeias é fundamental para que o programa de gestão do lixo não fique sobrecarregado com o tratamento do lixo que se pode evitar. A construção da política do lixo nos territórios Kayapó é uma ferramenta que atende ao objetivo de reduzir a quantidade de lixo na aldeia, uma vez que estabelece que os não-indígenas (profissionais, professores, enfermeiros, consultores e outros) devem levar o lixo gerado por eles, ou suas atividades quando retornarem para cidade. Essa política é o documento que define regras criadas pelos próprios indígenas de como o lixo é tratado dentro das aldeias.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CURSO COMÉRCIO JUSTO E FORMAÇÃO DE PREÇO

O curso comércio justo e formatação de preços é um dos componentes do projeto; Produtos da Sociobiodiversidade Kayapó, que tem por finalidade desenvolvimento de estratégias de comercialização e captação de mercado para atividades produtivas das TI Mekragnotire e Baú, da etnia Kayapó (Mebengokré). O mesmo está associado ao subprograma de Alternativas Econômicas Sustentáveis do PBA da BR-163.

O subprograma de apoio a alternativas econômicas sustentáveis tem por finalidade garantir a sustentabilidade agrícola-ecológica e econômica pelos quais se busca a segurança alimentar e a geração de renda por meio da venda de produtos excedentes ou por meio do incremento de atividades exclusivamente comerciais realizada pelos indígenas.

Este subprograma tem sua validade na busca de atenuar os impactos relacionados ao aumento populacional do entorno e conseqüente pressão sobre os recursos naturais e de oportunizar a potencialização dos impactos positivos relacionados ao incremento das atividades comerciais dos Mekragnotire, devido à facilidade de escoamento da produção resultante da pavimentação da BR-163.

Este curso com duração de 6 hs, foi definido pela carta convite expedida pelo Instituto Kabu, onde segue as seguintes recomendações:

Descrição da atividade

Assessorar a formatação de um curso sobre comércio e mercado, com ênfase no comércio justo e na valorização de produtos da sociobiodiversidade.

Produto esperado

Curso com duração de 6 h, que envolva metodologias participativas e conteúdo adequado a realidade Kayapó, envolvendo os critérios de comércio justo e formatação do preço de seus produtos.

Resultados

Capacitação dos indígenas para formatação do preço justo por seus produtos de forma a atender o tripé do desenvolvimento Sustentável onde o preço é viável, onde há a inserção social justa e mecanismo de respeito ao meio ambiente.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

seminário “A Hidrelétrica de Belo Monte e a Questão Indígena”

Antropólogos, lideranças indígenas e autoridades discutem instalação da hidrelétrica de Belo Monte

Publicado em fevereiro 3, 2011 por HC

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A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Fundação Darcy Ribeiro, realizam no próximo dia 7 o seminário “A Hidrelétrica de Belo Monte e a Questão Indígena”

O evento, que será realizado no auditório da reitoria da UnB, em Brasília, reunirá especialistas, lideranças indígenas, movimentos sociais e autoridades para discutir os impactos e o processo de licenciamento de Belo Monte.

Planejada para ser instalada em uma das áreas de maior diversidade cultural e biológica do país, a hidrelétrica de Belo Monte, além de inundar uma área de mais de 600 km2, promoverá até 80% de redução da vazão de um trecho de mais de 100 km do rio, denominado Volta Grande do Rio Xingu, atrairá uma população estimada em 100 mil pessoas e causará o deslocamento compulsório de cerca de 40 mil. Nesta área, residem os Arara, os Juruna, os Xikrin e milhares de famílias ribeirinhas, indígenas e não-indígenas.

Ainda no Médio Xingu e seus tributários, residem os Parakanã, os Asurini, os Kararaô, os Araweté, os Arara, os Xipaia e Kuruaia e centenas de famílias que habitam as Unidades de Conservação que conformam o corredor ecológico do Xingu (Resexs, APA, FLONA, ESEC, PARNA). Mais próximos das cabeceiras do rio, estão os Kayapó do Sul do Pará, os Metuktire, os diversos Povos do Parque Indígena do Xingu e grupos indígenas voluntariamente isolados, que transitam na fronteira dos Estados do Pará e Mato Grosso.

O seminário discutirá a magnitude dos impactos da hidroelétrica e seu questionável processo de licenciamento, que repercutem diretamente sobre os direitos e o modo de vida tanto de povos indígenas que imemorialmente vivem nesta região, quanto de povos tradicionais – camponeses, pescadores e extrativistas – e de outros grupos locais que dependem simbólica, social e economicamente da floresta, do rio e de seus igarapés.

Estarão reunidos, entre outros, representantes dos povos indígenas (Cacique Raoni Metuktire, Megaron Txukarramãe, Yabuti Txukarramãe e Josinei Arara), dos movimentos sociais (Antônia Melo da Silva) e do Ministério Público Federal (a subprocuradora geral da República, Deborah Duprat), além dos antropólogos João Pacheco de Oliveira Filho (Museu Nacional), Gustavo Lins Ribeiro (UnB), Bela Feldman-Bianco (Unicamp), Sonia Magalhães (UFPA) e Andréa Zhouri (UFMG).

Também foram convidados a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e os presidentes da Funai e do Ibama.

Mais informações no site da ABA: http://www.abant.org.br/